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O Poder dos Rótulos

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Reclaim your Wild Feminine Essence. 

O Poder dos Rótulos

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Vivemos hoje uma crise de identidade. Não só isso, vivemos uma crise da própria ideia de identidade.

Com o desaparecimento da interioridade, e consequentemente do conteúdo essencial do sujeito, o que testemunhamos hoje é uma curadoria do eu- uma edição permanentemente construída da imagem projetada sobre si, no mundo.

Esta identidade que pode ser reconhecida, legitimada e definida como parte de algo é o que comumente chamamos de "rótulos"- por detrás da necessidade de dar nomes,  descansa a necessidade de pertencer: a um grupo, um movimento, uma idéia, uma comunidade. Pertencer a qualquer coisa que faça desaparecer de si a sensação de estar sendo inadequado.

Como corpos vivos, sendo afeCtados constantemente, conscientes ou não, a sensação de que algo em nós está em permanente impermanência não é só uma sensação. Como corpos vivos estamos sendo permanentemente transformados, fadados a nos desestabilizar a cada novo glimpse de realidade que se abre como um pensamento, um sentir que se desdobra propondo uma nova forma de existir. Porém, em uma construção social patriarcal (ou antropo-falo-ego-logo-cêntrica) aprendemos a seguir as ordem de uma linearidade domesticadora: o personagem é sempre o mesmo personagem, o roteiro é sempre o mesmo roteiro e o ciclo de vida-morte-renascimento é subjugado em detrimento de uma eficiência e verticalidade constantes.

O resultado disto é que não estamos necessariamente orientando a bussola de nosso devir em direção à vida, mas sim, em direção a um sistema moral de reprodução e manutenção do status-quo. É como se a cada indício de fragmentação e fluxo esquizo de deslocamento de realidade, agarrássemos com todas as forças dos nossos dentes e unhas a qualquer coisa que nos traga o senso de pertencimento- nutrindo um sistema capitalístico colonialista fracassado, em troca de mercadorias que representem códigos sociais, estereótipos: lugares seguros, porém obsoletos e provincianos.

Estava sendo uma grande crise para mim perceber a tal “mulher sagrada e selvagem" se tornando um desses códigos sociais. Meu último texto ( O Sagrado Feminino e suas aspas) expressou isso desde um lugar de honestidade cara-lavada que me custou uma caixa de e-mails abarrotada de dedos na cara.  A crise aumentou quando percebi que, além da "mulher sagrada e selvagem" estar ela mesma sendo vitima de uma subjetividade identitária, as mulheres, portadoras desta grande potência arquetípica, acabaram por atropelar o pensamento crítico e reflexivo, como dando respostas antes mesmo de respirar, não permitindo que o sopro trouxesse novos espaços internos e solturas.

Diante de mim, vista agora como inadequada e desobediente (diante de mais um código rompido), percebo uma nova liberdade de narrativa- que mantém a resistência de uma potência poética política, mas que como uma boa capoeirista de alma, diz que dança enquanto luta. Diante de mim, uma alienação patológica que pede doses homeopáticas de engajamento de pensamento, para que, ao invés de aprendermos a imitar melhor os códigos, possamos conectar com o verdadeiro saber do corpo, com a potência do coração pulsante, com o criar que tece sua trama a partir da flexibilidade, da experimentação, na mistura dos códigos, no improviso, na não-programação.  Benditos sejam, a dicotomia e paradoxos que nos afligem, pois estes são os germes de mundo que nos possibilitam crescer como mulheres, como mães, como esposas, como amigas, como influenciadoras, como realizadoras, como humanas, que somos; em uma constante re-construção do ser.  

 fotografia por Saline Saunders 

fotografia por Saline Saunders 

*Texto por Morena CardosoMulher, mãe, terapeuta corporal, peregrina, buscadora, escritora- visionária e fundadora da DanzaMedicina. Morena há mais de uma década percorre lugares sagrados ao redor do mundo em diferentes culturas e tradições originárias; resgatando saberes ancestrais e colecionando ferramentas de psicoterapia do corpo e movimento; compartilhados hoje a centenas de mulheres em diversos países do mundo, na forma de Conferências, Workshops e Retiros.