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Uma maternidade inventada

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Reclaim your Wild Feminine Essence. 

Uma maternidade inventada

DanzaMedicina

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Ninguém nunca me ensinou a ser mãe.

Aprendi um bocado de coisa inútil na escola, mas nunca me ensinaram a ser mãe.

Entendi então que me cabia olhar para minha mãe e fazer como ela fez, ou olhar ao meu redor e fazer o que as mães faziam. Assim foi, o começo do fim; que por uma grande benção da vida, seguiu-se de um renascimento.

Descobri que estava gestando aos 25 anos, depois de uma viagem para a Ásia onde perdi uma prima num acidente de avião em que seu corpo ficou perdido no mar.

Sinto que a dor da minha perda era tão grande, sinto que a vida ficou tão crua, que abri meu corpo para receber um bebê que pudesse me provar novamente sobre os grandes milagres da criação.

Isso inconscientemente. Conscientemente- eu não tinha casa, nem trabalho, nem confiança em meu companheiro. Não tinha um plano, nenhuma visão de meu propósito de vida, nenhuma ideia que pudesse supostamente virar um bom plano. Eu estava chegando de uma viagem de 6 meses ao redor do mundo, seguindo para outra- minha mochila e meu coração libertário era tudo que eu tinha!

Não tinha dinheiro e nem apoio financeiro, emocional (ou moral mesmo). De alguma forma tinha tudo isso, mas dentro de mim era o vazio-  a sensação de estar sozinha no mundo, gestando um bebê. Minha família já não me sustentava financeiramente desde os 22 anos e se eu precisasse de um lugar seguro para me esconder... não me vinha lugar nenhum em mente!

Desde a concepção passei a sentir a força da maternidade em minhas células. Me sentia ancorada, corajosa, amável, gentil, confiante. Mesmo que tudo estivesse desmoronando, mesmo que eu estivesse velando a mim mesma e a todos os meus sonhos, uma nova força estava sendo incorporada.

O exame de sangue trouxe a confirmação do que já eu sentia... e poucos minutos depois do resultado positivo, tocaram o sino do centro de meditação Vipassana sinalizando que eu entraria em completo silencio e introspecção durante os próximos 10 dias; que se seguiam com mais de uma dezena de horas diárias de meditação budista.

Mesmo com toda a clareza de consciência de ter um bebê já no caminho do Dhamma desde o ventre, a confusão muitas vezes tomou conta de mim, e nestes momentos me via castrando a mim mesma no desejo de me encaixar às supostas caixinhas com rótulos que não muito variavam do clichê de "boa mãe". 

Depois de muito me chicotear, depois de muito tentar ser diferente do que sou, depois de muitas escolhas que me distanciaram de mim... consegui firmar meu compromisso comigo mesma em ir até onde eu podia, e até onde fazia sentido- resguardando os tesouros do meu coração que eram preciosos a mim, mesmo que somente a mim.

Com o tempo fui compreendendo que para ser uma mãe eu precisava primeiro estar feliz... e passei a fazer coisas que me deixavam feliz! Compreendi que precisava amadurecer e crescer, por isso passei a investir meu tempo e energia em trabalhos internos. Descobri que para ser uma boa mãe eu deveria ser honesta com relação às minhas necessidades (mesmo que elas não contextualizavam muito com a necessidade de uma Mãe com M maiúsculo) em primeiro lugar.  Descobri que para ser uma boa mãe eu deveria ser honesta com relação à sede que eu sentia por beber de fontes mais distantes... Nesta clareza, me separei de um relacionamento que já se tornava abusivo, peguei meu filho no colo, e saí mundo afora... em busca do resgate da minha alma.

Meu filho me acompanhou durante cinco anos, desde um ano e meio até os quase sete- eu de mochila nas costas, ele de dedo na boca... e nós na estrada! Vivemos como nômades, sem casa para voltar. Vivendo como monge- trabalhando como terapeuta em troca de doações espontâneas, comida e lugar para dormir. Vivendo como uma mulher que encontrou nesta jornada companheiros de vida que vieram e se foram, que nos transpassaram e seguiram adiante, assim com nós. No fim era sempre eu e meu filho, e assim continua sendo. Buscando aprender, crescer, experimentar novos pontos de vistas, novas formas de viver, relacionar, trabalhar, ser no mundo. Buscando principalmente formas de curar a mim mesma e minhas dores para poder ajudar a outras mulheres como eu, pulsam desejosas por em uma vida de infinita possibilidades, além das muitas limitações.

A realidade era um pouco menos romântico do que na sua imaginação, mas era assim, como foi: visceral, verdadeiro, intenso, doloroso, empoderador e libertador.

Um certo dia, depois de muitos calos e cicatrizes, com o suficiente para se caminhar na força sem tropeços... ele decidiu ficar! Meu filho me olhou nos olhos, em um choro de alívio e medo e disse que eu poderia ir, disse que ele ficaria. Disse que meu lugar era onde eu escolhesse ficar e o lugar dele ele já tinha escolhido: perto do pai.

Novamente, rasguei meus pequenos e grandes planos, me virei do avesso, queimei as poucas pontes que me restavam e recalculei a rota: dar a ele segurança financeira, casa, rotina, aula de futebol, natação, coleguinhas que ele pudesse lembrar o nome... esse era o desejo de alma dele e foi se tornando o meu também.

Neste momento percebi que, como dois aprendizes, iriamos nos unir neste proposito de amansar as nossas necessidades pessoais para conseguir permitir um ao outro de viver uma vida bonita,  criativa e acima de tudo autêntica... Indo além das propagandas de margarina e dos radicalismos, pelo caminho do meio.

O medo era gigantesco: ter que assumir um aluguel, a mensalidade da escola, o medo de não conseguir trabalhar sem estar viajando, a constante sensação de estarmos sozinhos no mundo sem nem sequer uma pensão alimentícia pra garantir a tranquilidade pelo dia de amanhã- mas ainda, dentro, pulsava a força de uma mãe leoa - a força acreditar que eu e ele éramos e somos merecedores de colher os frutos pelas sementes tão verdadeiras que havíamos até então compartilhado.

Cá estamos... em nossa casa na floresta, fechando pela primeira vez um ciclo de quatro estações em um mesmo lugar (ou pelo menos voltando ao mesmo lugar), gangorrando entre o Ipad e a cachoeira, entre a minha presença entregue e os meus vôos, entre ir levando seu cheiro e voltar trazendo abraços repletos de novas histórias.

Ontem eu e três amigas montamos uma cama para ele- a primeira cama DELE, com escorregador e tudo. Ele adorou, mas acordou no meio da noite veio para a minha cama (depois de sete anos sem cama própria, era de se imaginar que fosse querer sentir meu cheiro durante a noite). E assim seguem-se os dias: eu preparo o jantar, sirvo meu vinho e o seu suco de uva, ele me pergunta sobre a vida e eu o pergunto sobre o seu joguinho de minecraft... e assim seguimos, nos inventando e aprendendo a amar, à medida que caminhamos por este grande mistério chamado vida, por este grande universo chamado relacionar-se, por esta enorme sabedoria de viver uma vida extraordinariamente NOSSA!

Com gratidão a todos os que passaram por nós e a todos que nos traspassaram: deu tudo certo! Estamos nos cuidando com amor, os nossos estão se manifestando e estamos seguros agora. Foi bom acreditar... 

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*Texto por Morena CardosoMulher, mãe, terapeuta corporal, peregrina, buscadora, escritora- visionária e facilitadora da DanzaMedicina. Morena há mais de uma década percorre lugares sagrados ao redor do mundo em diferentes culturas e tradições originárias; resgatando saberes ancestrais do feminino e ferramentas de cura pela psicoterapia do corpo e movimento; compartilhados hoje a centenas de mulheres em diversos países do mundo, na forma de Workshops e Retiros.