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O sagrado feminino e suas aspas.

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Reclaim your Wild Feminine Essence. 

O sagrado feminino e suas aspas.

DanzaMedicina

Nada pessoal, mas " Sagrado Feminino" é um termo que nunca me desceu muito bem, principalmente quando vinculado à mim e ao meu trabalho. Hoje especialmente, é como aquelas traumáticas espinhas de peixe que grudavam na garganta, e minha mãe fazia descer à seco com farofa.

 

Desde que me entendo por gente, estou em um trabalho árduo que quebrar padrões, de desconstruir rótulos, de decodificar o senso comum em uma nova proposta de ser autêntica, espontânea e única em minhas expressões e formas de manifestação no mundo. Não como uma necessidade egóica de "ser diferente" e me reafirmar fora do padrão, mas como um exercício de constante revisão dos porquês e como.

 

Foi um caminho árduo, abrir a mata fechada e caminhar sei lá para onde enquanto farejava uma mudança possível dentro de estruturas rígidas, obsoletas, patriarcais e provincianas.

 

Parida a DanzaMedicina entre contrações dolorosas e orgasmos múltiplos, senti enfim a plenitude e o êxtase de poder ser algo além do que me havia sido imposto socialmente. Mas o gostinho de liberdade e emancipação durou pouco.

 

Hoje,  quando olho ao meu redor, o que percebo é uma leva gigantesca de mulheres fazendo (ou tentando fazer) trabalhos de "sagrado feminino" (acho que eu nunca mais vou conseguir escrever este termo sem usar aspas) . Cada uma com a sua forma pessoal de expressar e manifestar seus trabalhos, mas chego a questionar até que ponto é inspiração, até que ponto é falta de potencial criativo próprio e original- e pior, até que ponto é verdadeiro.  Acho incrível que tantas mulheres estejam se engajando em um tema tão importante e se sentindo inspiradas em trabalhar com outras mulheres, em trabalhar elas mesmas através de outras mulheres, em falar de útero, lua, sangue, ciclo. Tá lindo, não é este o ponto! O ponto é que estou me vendo novamente em uma caixa, que possui rótulos de "mulher selvagem”, "empoderamento", "somos todas deusas", "lobas poderosas", "namastê" e por aí vai... É como tivéssemos então trocado uma caixa por outra, uma máscara por outra, uma moda por outra, mais uma tendência de um produto que tá vendendo fácil... e nesta constante replicação do que já existe, caímos novamente no padrão de reproduzir velhos sistemas, com uma carinha de vanguarda feminista de úteros borbulhantes que precisam de aprovação, dinheiro, sucesso profissional, reconhecimento.

 

Sinceramente para mim a brincadeira perdeu a graça. Não vou pedir para parar porque eu quero descer... pois já saltei fora e tô aqui na velha e boa urubuservação (como diria Chico Science). Sigo fazendo o que me cabe, como me cabe, mas com uma sensação de que minha missão neste âmbito já foi cumprida. Agora é o momento de seguir adiante em novas experimentações, de dentro para fora, como sempre foi- paradoxalmente seguindo em novas linhas de fuga. O que antes me expandia agora me limita- pero no más. E que venha o novo, o desconhecido, deixo agir o grande mistério, que me convida agora a ir além- de mim, e de todas estas referências que hoje (erroneamente) me definem.

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*Texto por Morena CardosoMulher, mãe, terapeuta corporal, peregrina, buscadora, escritora- visionária e fundadora da DanzaMedicina. Morena há mais de uma década percorre lugares sagrados ao redor do mundo em diferentes culturas e tradições originárias; resgatando saberes ancestrais e colecionando ferramentas de psicoterapia do corpo e movimento; compartilhados hoje a centenas de mulheres em diversos países do mundo, na forma de Conferências, Workshops e Retiros.