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Reclaim your Wild Feminine Essence. 

O Choro Silencioso dos Abortos

DanzaMedicina

Parir um bebê morto foi ir além das ilusões vagas de um feminino sagrado em idealização e esteriótipos, que agora, não sobra nem pó. 

E sim, agradeço por isso. Por ser moída, descascada, peneirada até o caroço, pela potência crua e visceral da existência. 

Em toda minha jornada como mulher meu chamado foi permanentemente descascar camadas além de máscaras, personas e roteiros, e assim sigo, depois deste potente rito de iniciação, a descobrir as faces numinosas e sombrias do corpo que habito. 

Em duas semanas de gestação, antes de qualquer menstruação atrasada, já havia confirmado o resultado positivo. Em quatro semanas descobri que eram gêmeos. Em sete semanas, descobri que um tinha ido a óbito. Entrando em dezoito semanas descobri que o segundo bebê havia morrido com quinze semanas. 

Ali estava eu, acompanhando o ultrassom de dois bebês sem vida, sem movimentos fetais, sem batimentos cardíacos: pernas, braços, nariz, boca... tudo sem vida, dentro do meu ventre. Um aborto retido que já completava mais de 3 semanas. 

Nunca imaginei a grandeza da potência divina desta passagem de vida-morte-renascimento na jornada de uma mulher. 

Carregamos um ventre. Um ventre que floresce e decai a cada novo ciclo, um ventre que sangra, um ventre que gera vida. Nenhuma surpresa, mas por qualquer sábio e silencioso acaso, experimenta também o sabor amargo (de boa medicina) da morte, como, em si, Pachamama.

Como em momentos de vulnerabilidade, medo e fraqueza, hesitei... esqueci da minha força, esqueci do quanto escolho viver e das belas paisagens que ainda quero contemplar, das trilhas que quero pisar montanha acima e rio abaixo. A vida ficou cinza, o corpo flácido, as lágrimas quase secaram. Como ser mulher assim? Como seguir adiante? Qual mesmo o sentido que pode fazer voltar o sentir? 

Olhei para baixo e vi duas perninhas soltas, penduradas, enquanto a cabeça não passava pelo colo do útero, aguardando a próxima contração para expulsar o restante do corpinho sem vida. Enquanto isso, meu companheiro, me sustentando em cócoras, me diz sorrindo sobre o quanto meu cabelo estava bonito. 

Sim, estou a aprender isso... precisamos incluir os homens no processo, eles precisam vivê-lo assim como nós. 

Me disseram por aí que grande parte dos casais se separam após a perda de um filho... e me parece óbvio que seus papéis no processo não estão sendo respeitados.

As mulheres precisam ter suas lágrimas vistas, seus gemidos ouvidos, sua raiva acolhida, seus medos testemunhados, sua alma contemplada enquanto abre seu corpo pra morte passar. Precisamos ser abraçadas enquanto morremos um pouco junto... só assim essa relação pode renascer em nova esperança e confiança. Gratidão a este devir-pai por me ler Clarisse Lispector enquanto eu me contorcia em contrações, que me olhava com seus olhos coloridos sorrindo em incentivo a cada centímetro de expulsão de nosso bebê, por acordar com meu choro na madrugada e me dizer sobre o amor que se fortalece diante dos desafios... por reconhecer o poder e beleza de uma mulher que pari sem gerar vida, e pari a si mesma, quantas vezes forem necessárias, como uma nova mulher que a cada momento renasce.

Me permiti receber colo, de minhas irmãs de alma, especialmente de minha mãe. Voltar a ser pequena foi e está sendo parte importantíssima deste processo.

É preciso deixar saber o que se passa. Não existe um velório, um enterro, uma cerimônia que façam as pessoas entenderem o processo. Mas a mulher não deve nem pode viver esta morte secretamente, intimamente. É preciso dar nome a este bebê, legitimar esta perda diante dos olhos dos que não enxergam a escuridão da partida daquele que nunca veio. 

Ainda sim, o caminho através da floresta escura é solitário, porque ele toca universos tão íntimos e tão particulares, que nem se quiséssemos poderíamos nomeá-los ou representá-los, a fazer entender. O portal, que se caminha por entre, exige que se soltem as mãos, recolha os fragmentos, e faz com que as madrugadas se expandam às horas de silêncio oblíquo e quase tortuosos, e não há muita mais a fazer. 

... em gemidos roucos chamando por potência de vida, ressurjo em força e me ponho vertical, a mover meu ventre, a respirar junto a cada dor e contrações, do ventre e coração.

Subitamente a existência pulsa, o expulsa, me impulsiona, me sangra, me purifica: escolho sair ainda mais forte. Escolho, mais uma vez, me curvar diante da magia e mistério deste ventre alquímico, que profunda e visceralmente me encara os olhos e me ensina: uma sabedoria autêntica, atemporal, eterna, crua. 

Sinto a força das tantas mulheres que passaram por isso e que vieram antes de mim, elas agora me suportam para a ressignificação desta experiência às novas gerações que estão por vir. Sinto as bênçãos de Nanã, que em suas águas barrentas me acolhe com seus braços de avó, me relembrando que o despertar é nada além do que simplesmente desamarrar-se de todas as resistências em aceitar o que é, assim como é. Sinto a força do meu ventre que me ecoa o sussurro do porquê de eu estar aqui: testemunhar, e facilitar o testemunho dessa misteriosa, potente e selvagem força que habita um corpo e um Ser Mulher. 

Sigo com a paz de quem se entrega à vida em inteireza e coragem. Escolhi estar aqui, escolhi em alguns níveis viver esta experiência, e sigo escolhendo agradecer e extrair o máximo de sabedoria de cada porção de vida que me transpassa.


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Por Morena Cardoso: psicoterapeuta corporal, ativista, escritora, mãe, mulher, heroína de sua própria jornada. Uma peregrina, que iniciou a busca de si mesma a partir do espelho fornecido por povos de diversas etnias culturais, corpo adentro e mundo afora.  

Em mais de uma década de jornada pelos saberes tradicionais, lugares sagrados e povos originários, Morena pôde testemunhar diferentes formas de vida, mitos, crenças,  ferramentas de cura, sistemas simbólicos, costumes e rituais; diferentes formas de se relacionar com o universo psíquico e com a natureza- tudo isso se tornou o que é a DanzaMedicina, e hoje se configura como retiros em 6 diferentes países, workshops presenciais, conferências e uma comunidade online com mais de 80 mil mulheres.


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A Lua Cheia e o Ciclo Menstrual

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Com todas as bênçãos e honrarias, damos as boas vindas à Lua Cheia!

A energia da Lua Cheia representa em nosso ciclo menstrual a chegada da ovulação.

Isto não significa que a mulher deva menstruar na Lua Nova e ovular na Lua Cheia. Isto representa o tipo de energia, o tipo de freqüência e vibração que experenciamos no período fértil em nosso ciclo interno pessoal: Assim com a Lua Cheia- radiantes, brilhantes, expansivas, cheias de clareza e beleza!

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A Lua Crescente e o Ciclo Menstrual

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Esta fase, no ciclo menstrual da mulher, representa o momento desde o fim do sangramento até a ovulação- ou seja, representa a energia da segunda fase de nosso ciclo menstrual.

Isso não quer dizer necessariamente a mulher precise menstruar na Lua Nova e seguir a segunda fase do ciclo na Lua Crescente. Isso significa na verdade que assim como a lua, temos nossas fases distintas em ciclos internos que são representados na natureza e na mitologia arquetípica como padrões, frequências e manifestações específicas de cada momento.

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Bondage - Consentimento e Liberdade

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Comecei a compreender que aquilo era para mim um rito de iniciação para que eu pudesse me libertar do meu vitimismo, da minha necessidade de controlar os outros através de minha dor, me libertar do meu próprio apego ao sofrimento. Foi como limpar os cantinhos escondidos, as rebarbas que sobraram de um porão escuro já muito revirado e cheio de tranqueiras emocionais... foi achar mais um tapete esquecido para bater a sujeira por debaixo.”

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O Poder dos Rótulos

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Vivemos hoje uma crise de identidade. Não só isso, vivemos uma crise da própria ideia de identidade. Com o desaparecimento da interioridade e consequentemente do conteúdo essencial do sujeito, o que testemunhamos hoje é uma curadoria do eu- uma edição permanentemente construída da imagem projetada sobre si, no mundo.

Esta identidade que pode ser reconhecida, legitimada e definida como parte de algo é o que comumente chamamos de "rótulos", mas por detrás da necessidade de se dar nomes, descansa a necessidade de pertencer… pertencer a qualquer coisa que faça desaparecer de si a sensação de estar sendo inadequado.

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O sagrado feminino e suas aspas.

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" Sagrado Feminino" é um termo que nunca me desceu muito bem, principalmente quando vinculado à minha pessoa. Hoje especialmente, é como aquelas traumáticas espinhas de peixe que grudavam na garganta, e minha mãe fazia descer à seco com farofa.

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