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Reclaim your Wild Feminine Essence. 

Criatividade Autônoma em Tempos Líquidos

DanzaMedicina

Em tempos de rede social, estamos lidando com um novo formato de interação, aprendizagem, produção e influência. Como navegar nesta teia sem deixar que a nossa ética escorra pelas mãos, nos atravessando pelo plágio inconsciente? Como permitir que essa rede nos potencialize ao invés de devorar a potência criativa? Como compreender as dinâmicas que a compõem caminhando em consciência entre esta linha tênue que separa as projeções do ego e a realidade individual e autônoma?

Em primeira estância devemos perceber que, apesar de virtual, esta comunidade é real, e seus modos de afectar, apesar de distintos, atingem conteúdos internos psíquicos que são sim, dignos de serem questionados e porque não, utilizados como ferramenta de observação e aprofundamento de si.

Vamos começar por alguns pontos importantes:

COMO RECONHECER SUA RELAÇÃO COM A REDE SOCIAL ?

1- Você percebe que seu humor muda quando posta e assiste à rede social?

Se sim, você se percebe se engajando na rede social para causar determinado estado de humor que você esta inconscientemente buscando? Por exemplo: receber uma bomba de motivação, se sentindo mal sobre sua produtividade, se sentindo com inveja, conectada, feliz, superior, sozinha, distraída?

2- Você se sente inspirada, criativa e nutrida ao ver seu feed ou se sente cansada das mesmas repetições ou exausta de testemunhar a produção constante de todas as pessoas o tempo todo?

MUDANDO DE COMPULSÓRIO PARA INTENCIONAL:

1- Tome responsabilidade sobre os seus parceiros na rede social, consumo e engajamento.

Seu uso esta alinhado às suas intenções? Comece se questionando para se conhecer um pouco mais aí: quais seus objetivos, limites e limitações na rede social: O que você quer (realmente) fazer?

  • Suportar amigos

  • Compartilhar atualizações

  • Se sentir inspirada

  • Criar experimentos através de sua arte

  • Vender?

  • Desconectar de pessoas?

  • Matar o tempo

  • Construir uma comunidade?

  • Ter espaço para trocar com novas pessoas

  • Manter um diário online

  • Sair da presença, escapismo?

  • Ficar atualizado

  • Conhecer e conectar pessoas

  • Compartilhar ideias e mensagens

  • Despertar apreciação e ganhar seguidores

  • Divertimento?

  • Entretenimento? Entreter?

Sem julgamento, responda com honestidade a estas perguntas. Você esta preenchendo suas intenções? Se não, por que?

2- Tome responsabilidade pelas projeções e suposições que você faz quando olha feed de outras pessoas e as respostas emocionais que surgem disso:

A partir de processos não resolvidos, podem ser desenvolvidos botões emocionais que se ativam como culpa, inveja, tristeza, raiva, etc. Coisas que vemos, lemos ou ouvimos, podem ativar essas emoções não resolvidas.

Essas emoções podem nos servir como indicadores de percepções sobre nós mesmas, sobre traumas que vivemos, sobre nossas reais intenções, sobre nossas limitações, limites, nossas histórias, nossas narrativas, nossos desejos, nossas necessidades. Quando você entra em contato com algum conteúdo online que te atinge, pare por um momento e respire nisso. Quais botões estão sendo ativados?

3- Use no seu celular as métricas para saber e se tornar consciente de quanto tempo você fica no telefone por semana, pode te ajudar a perceber quanto tempo na soma de pequenas "olhadelas", você gasta na mídia social.

A ideia aqui seria se tornar consciente destes movimentos e criar novos caminhos. Como usar a rede social como uma ferramenta, ao invés de um vício ou um veículo de auto manipulação? Como usar a rede social desde um lugar de abundância, e não de um lugar de escassez e competição?

SOBRE ÉTICA E CRIATIVIDADE:

Qual a diferença de almas gêmeas e plagiadores?

Existe uma linha muito tênue aí. Podemos dizer que esta alma gêmea (que existem muitas no mundo) seja alguém que compartilha dos mesmos interesses que você, alguém que tem a mesma pegada estética, uma visão de mundo similar, defende os mesmos valores, sonhos; que compartilha uma missão de vida muito parecida, além de uma profunda similaridade psíquica e espiritual.

A sombra disso é um plagiador, alguém que parece estar ao mesmo tempo refletindo seus movimentos fazendo uma versão aguada das suas expressões ou te transformando, não consensualmente, em uma musa inspiradora, esperando sempre a melhor deixa para se apropriar da sua essência no trabalho que desenvolve.

A diferença parece clara, mas nem tanto.

Por exemplo, se você está operando desde o seu ego, você não conseguirá reconhecer uma alma gêmea. Se o seu ego está ávido por território ou crédito, isso irá alienar você, e todo mundo que fizer qualquer coisa similar será visto como competidor. Essa é a diferença entre escassez e abundância. A ironia é que o ego, em tentando se elevar, pode te cegar na identificação das pessoas que podem fortalecer seu trabalho e expandir suas oportunidades. Sim, é sobre o poder dos círculos de amizade!

Círculos de amizade em campos criativos são uma rede de almas gêmeas essencial para aprender, expandir e criar aliados de maneira genuína. Por outro lado, os plagiadores são pessoas que se aproximam tentando acessar uma formula pronta de sucesso. Frequentemente, os plagiadores se tornam amigos, para poderem ser vistos como iguais, assim se potencializam ao invés de competir, quando você menos espera, estão copiando sua forma de se vestir, estão usando expressões que você costuma usar, e publicando conteúdos em forma e essência quase confundíveis com a sua.

A sua expressão criativa, em autenticidade, é provavelmente uma expressão natural que envolveu tempo, dedicação, construção e experimentação, afiando ferramentas e métodos... para um plagiador, esse movimento é na verdade uma tentativa de "arrombamento”, como um ladrão lidando com um cadeado.

Como acontecem as almas gêmeas? Porque pessoas terminam por fazer o mesmo trabalho sem uma ter sido influenciada por outra?

  • Geralmente é porque as pessoas estão sendo influenciadas a forças culturais semelhantes, socializadas na infância com referencias similares, com acesso a certas ferramentas e recursos, irão reagir de forma similar à cultura que cresceram.

  • Tiveram a mesma influência de pessoas ou linhas de pensamento, tiveram os mesmos professores, pessoas que consomem um trabalho também consomem o outro porque encontram os mesmos estímulos,

  • Inconsciente coletivo

  • "Musas inspiradoras" similares (internas e externas)

  • Todas as alternativas acima

Na era digital isso está acontecendo em uma velocidade muito acelerada, porque as respostas são muito rápidas e instantâneas, e não partem necessariamente como resultado de um trabalho realmente bem feito. Plágios subconscientes também são comuns nesta era.

Por isso é importante usar a mídia social de forma consciente e não de forma impulsiva.

Com distinguir similaridades genuínas e copias?

No trabalho de outros:

  • Tempo e intuição ajudam a desvendar a dúvida;

  • Uma pequena pesquisa sobre as técnicas e o background do criador pode ajudar. A mídia social pode ajudar bastante a encontrar esse rastro de como a pessoa chegou até ali (mas em alguns casos não ajuda);

  • Esteja consciente: a maioria dos plagiadores parecem agir inconscientemente, copiando por admiração, não necessariamente como uma maquinaria conspiradora;

  • As relações de amizade que se baseiam em uma falsa premissa de copiar e avançar na carreira serão reveladas com o tempo.

No seu próprio trabalho:

  • Seja claro em suas intenções e auto reflexivo sobre seu uso da mídia social e consumo de internet;

  • Vá além da busca por outras pessoas que façam trabalhos similares quando estiver pesquisando sobre inspirações para seu trabalho, se aprofunde em sua própria experiência;

  • Esteja atento aos seus meios de inspiração: alguns artistas limitam o consumo aos seus pares (ou rivais), outros escritores leem apenas as suas influencias do passado, alguns músicos só ouvem musicas de outros gêneros e muitos artistas se distanciam dos modismos, evitando o ruído branco da mídia no contexto social e cultural que vivem. Alguns artistas apenas limitam o consumo de influencias quando estão envolvidos em um projeto grande. Brinque com estas ideias para encontrar aquilo que te equilibra melhor;

  • Se alguém faz algo que você admira e considera importante para a sua comunidade, ao invés de fazer algo similar, compartilhe e credite aquilo que já está feito. Legitime o trabalho, apoie, divulgue, dê sustentação para que ele se perpetue... gratidão também é uma ação.

  • Para que você quer entrar em um nicho de trabalho que já está sendo feito? Andar por um caminho pavimentado é com certeza mais prático e fácil, mas também, muito menos interessante e inclusive, pouco necessário. Para que caminhar atrás de alguém que já percorreu o caminho? Confie na abundância de seu próprio processo criativo, abra sua própria estrada.

  • Quando entrar em algum curso/aula, não vá com a intenção de fazer algo similar, mas sim de se inspirar, de aprender novas habilidades e de impulsionar/ destravar o seu próprio processo criativo com a ajuda do professor;

  • Acesse suas "musas inspiradoras”: são como entidades internas que te inspiram e irão proteger você de se tornar um imitador inconsciente, elas também irão te manter confiante quando alguém te copiar, pois te trazem ideias intermináveis e um fluxo de criatividade constante que sempre te coloca em um novo lugar de renovação e novidades;

E QUANDO O PLÁGIO ACONTECE? O que fazer?

Vamos de lado a lado.

1- Quando alguém te acusa diretamente de estar plagiando, respire aí.

Isso te incomoda e por que? Existem informações que você possa extrair daí para se conhecer um pouco mais?

Se a sua conduta estiver correta, tenha empatia em explicar de onde parte seu processo criativo, como você aprendeu, quem são seus professores, quais suas influências, mostre à pessoa documentações de seu processo de criação, etc.

Caso a pessoa mesmo assim mantenha a acusação, compreenda que ela pode ter passado por situações delicadas e que a fizeram se sentir desconfiada e intolerante. De qualquer forma, vale ter o cuidado de tirar as névoas e provar a originalidade de seu trabalho.

Se sua conduta não estiver correta, corrija. Peça perdão e tenha a humildade de deixar seu público saber de onde vem e quem é sua inspiração. A melhor forma de admiração é sempre dar apoio e fortalecer, ao invés de fazer plágio, como dizem por aí.

2- Quando outra pessoa te copia:

Pessoas que plagiam geralmente não estão empoderadas o suficiente de suas próprias criações, e por isso tentam usar de receitas prontas, ou seja, relembrar isso é importante para um olhar mais compassivo e empático. Um caminho seria abrir uma escuta amigável e apoiar para que a outra sinta mais confiança em caminhar em autenticidade. Senão, verbalizar seu incômodo pura e simplesmente pode ajudar a pessoa a contornar melhor num novo senso de responsabilidade. Em ultimo lugar, está tudo bem colocar limites claros, se afastar, bloquear, se proteger: cada um sabe seu próprio limite de tolerância.

3- Como espectador e consumidor:

Quando for escolher com quem trabalhar, quem seguir, em quem confiar, não se prenda ao numero de seguidores; existem hoje infinitas formas de marketing digital que transformam qualquer aspirante em profissional: busque informações e sinais reais, não tenha medo de perguntar de onde esta pessoa veio para estar ali; faça isso ao invés de se levar por imagens tentadoras e frases de efeito. Observe também o quanto essa pessoa credita e legitima suas fontes, seja nas fotografias, imagens gráficas, textos, inspirações, técnicas utilizadas, professores, cultura, tradições, etc. Engavetar o senso crítico é um grande impulsionador de egos, conteúdos rasos, manipulação, e apropriação. Quando perceber que alguém está plagiando, deixe que ambos saibam (quem copia e quem é copiado), assim você ajuda que estes se tornem conscientes de seus atos e consequências.

4 - O reflexo na comunidade:

Uma comunidade em que os meios de criação e as formas de expressão são autênticas e respeitadas, é uma comunidade que cresce e se fortalece pautada acima de tudo na confiança; o que gera abundância, apoio, trocas mais profundas, compartilhamentos e potencialização. A situação contrária é pautada em competição, medo de ter seus tesouros roubados e replicados indiscriminadamente, hipocrisia e interesses velados. Qual o tipo de comunidade que você alimenta e quer fazer parte?

TRABALHANDO A APROPRIAÇÃO:

1- Estamos em uma era de "experts instantâneos”: pessoas que leem um artigo ou fazem um curso simples de formação e já se colocam como autoridades ou professores. Caso você tenha aprendido algo novo, pratique-o antes de ensinar ou de compartilhar. O conhecimento só se transforma em sabedoria a partir da internalização, que acontece com dedicação, tempo, mergulho interno. Se você trabalha como artesã por exemplo, faça um certo numero de exemplares para presentear amigos, antes de vendê-lo, ou sendo terapeuta, facilite alguns trabalhos gratuitamente até se sentir realmente pronta para se colocar no mercado (e na rede social). Dê tempo a você antes de buscar dinheiro e reconhecimento por este trabalho, e não deixe que isso destrua a leveza de ser um aprendiz, criando a seus próprios termos.

2- Quando apresentar o seu trabalho ao mundo, honre o nome de seus professores e suas fontes de inspiração. Fortalecer aqueles que caminharam antes de você não te enfraquece, ao contrário, a humildade te fortalece enquanto te deixa mais segura de seus verdadeiros passos na jornada até aqui.

3- Quando compartilhar algo inspirado em uma cultura ou tradição, um artesanato, uma técnica, um design, uma vestimenta, um objeto, um canto etc, não deixe de estudar e contextualizar de onde veio e qual a história que existe por trás daquilo. Pergunte a si mesma, você tem a autorização de utilizá-lo? Alguém te trouxe este consentimento?

4- Não deveria ser naturalizado utilizar-se de códigos e representações simbólicas para se intitular sob determinados estereótipos. É importante manter-se vigilante à utilização de objetos que te façam "parecer" algo. Apropriação Cultural é quando uma cultura dominante usa/absorve um elemento cultural de uma cultura marginalizada e oprimida, para o seu ganho próprio (financeiro, status, apreciação...), com pouca ou nenhuma compensação à comunidade pelos recursos e frequentemente sem consentimento. Isso é diferente de uma troca cultural onde existe mútuo respeito e benefício.


Este texto surge como uma resposta a este tema tão delicado que foi trazido à tona há algumas semanas na rede social, como resultado de um questionamento e incômodos pessoais gerados pela falta de contorno e compreensão destas dinâmicas.

Um desconforto que gerou muito pensamento reflexivo, alinhamento de um senso crítico e profunda aprendizagem. Agradeço aos compartilhamentos que me ajudaram a encontrar novas perpectivas e aumentar meu campo de visão e entendimento, agradeço à Lise Silva Gomes e seu trabalho "Craft & Practice: Meditations on Creativity and Ethics" que tanto me elucidou. No desejo de que a nossa comunidade se torne um lugar cada vez mais abundante, baseado na confiança, transparência e autenticidade, que esses espelhos e relações nunca deixem de ser uma escola que nos ensina, acima de tudo, sobre nós mesmas.


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Por Morena Cardoso: psicoterapeuta corporal, ativista, escritora, mãe, mulher, heroína de sua própria jornada. Uma peregrina, que iniciou a busca de si mesma a partir do espelho fornecido por povos de diversas etnias culturais, corpo adentro e mundo afora.  

Em mais de uma década de jornada pelos saberes tradicionais, lugares sagrados e povos originários, Morena pôde testemunhar diferentes formas de vida, mitos, crenças,  ferramentas de cura, sistemas simbólicos, costumes e rituais; diferentes formas de se relacionar com o universo psíquico e com a natureza- tudo isso se tornou o que é a DanzaMedicina, e hoje se configura como retiros em 6 diferentes países, workshops presenciais, conferências e uma comunidade online com mais de 80 mil mulheres.


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O Choro Silencioso dos Abortos

DanzaMedicina

Parir um bebê morto foi ir além das ilusões vagas de um feminino sagrado em idealização e esteriótipos, que agora, não sobra nem pó. 

E sim, agradeço por isso. Por ser moída, descascada, peneirada até o caroço, pela potência crua e visceral da existência. 

Em toda minha jornada como mulher meu chamado foi permanentemente descascar camadas além de máscaras, personas e roteiros, e assim sigo, depois deste potente rito de iniciação, a descobrir as faces numinosas e sombrias do corpo que habito. 

Em duas semanas de gestação, antes de qualquer menstruação atrasada, já havia confirmado o resultado positivo. Em quatro semanas descobri que eram gêmeos. Em sete semanas, descobri que um tinha ido a óbito. Entrando em dezoito semanas descobri que o segundo bebê havia morrido com quinze semanas. 

Ali estava eu, acompanhando o ultrassom de dois bebês sem vida, sem movimentos fetais, sem batimentos cardíacos: pernas, braços, nariz, boca... tudo sem vida, dentro do meu ventre. Um aborto retido que já completava mais de 3 semanas. 

Nunca imaginei a grandeza da potência divina desta passagem de vida-morte-renascimento na jornada de uma mulher. 

Carregamos um ventre. Um ventre que floresce e decai a cada novo ciclo, um ventre que sangra, um ventre que gera vida. Nenhuma surpresa, mas por qualquer sábio e silencioso acaso, experimenta também o sabor amargo (de boa medicina) da morte, como, em si, Pachamama.

Como em momentos de vulnerabilidade, medo e fraqueza, hesitei... esqueci da minha força, esqueci do quanto escolho viver e das belas paisagens que ainda quero contemplar, das trilhas que quero pisar montanha acima e rio abaixo. A vida ficou cinza, o corpo flácido, as lágrimas quase secaram. Como ser mulher assim? Como seguir adiante? Qual mesmo o sentido que pode fazer voltar o sentir? 

Olhei para baixo e vi duas perninhas soltas, penduradas, enquanto a cabeça não passava pelo colo do útero, aguardando a próxima contração para expulsar o restante do corpinho sem vida. Enquanto isso, meu companheiro, me sustentando em cócoras, me diz sorrindo sobre o quanto meu cabelo estava bonito. 

Sim, estou a aprender isso... precisamos incluir os homens no processo, eles precisam vivê-lo assim como nós. 

Me disseram por aí que grande parte dos casais se separam após a perda de um filho... e me parece óbvio que seus papéis no processo não estão sendo respeitados.

As mulheres precisam ter suas lágrimas vistas, seus gemidos ouvidos, sua raiva acolhida, seus medos testemunhados, sua alma contemplada enquanto abre seu corpo pra morte passar. Precisamos ser abraçadas enquanto morremos um pouco junto... só assim essa relação pode renascer em nova esperança e confiança. Gratidão a este devir-pai por me ler Clarisse Lispector enquanto eu me contorcia em contrações, que me olhava com seus olhos coloridos sorrindo em incentivo a cada centímetro de expulsão de nosso bebê, por acordar com meu choro na madrugada e me dizer sobre o amor que se fortalece diante dos desafios... por reconhecer o poder e beleza de uma mulher que pari sem gerar vida, e pari a si mesma, quantas vezes forem necessárias, como uma nova mulher que a cada momento renasce.

Me permiti receber colo, de minhas irmãs de alma, especialmente de minha mãe. Voltar a ser pequena foi e está sendo parte importantíssima deste processo.

É preciso deixar saber o que se passa. Não existe um velório, um enterro, uma cerimônia que façam as pessoas entenderem o processo. Mas a mulher não deve nem pode viver esta morte secretamente, intimamente. É preciso dar nome a este bebê, legitimar esta perda diante dos olhos dos que não enxergam a escuridão da partida daquele que nunca veio. 

Ainda sim, o caminho através da floresta escura é solitário, porque ele toca universos tão íntimos e tão particulares, que nem se quiséssemos poderíamos nomeá-los ou representá-los, a fazer entender. O portal, que se caminha por entre, exige que se soltem as mãos, recolha os fragmentos, e faz com que as madrugadas se expandam às horas de silêncio oblíquo e quase tortuosos, e não há muita mais a fazer. 

... em gemidos roucos chamando por potência de vida, ressurjo em força e me ponho vertical, a mover meu ventre, a respirar junto a cada dor e contrações, do ventre e coração.

Subitamente a existência pulsa, o expulsa, me impulsiona, me sangra, me purifica: escolho sair ainda mais forte. Escolho, mais uma vez, me curvar diante da magia e mistério deste ventre alquímico, que profunda e visceralmente me encara os olhos e me ensina: uma sabedoria autêntica, atemporal, eterna, crua. 

Sinto a força das tantas mulheres que passaram por isso e que vieram antes de mim, elas agora me suportam para a ressignificação desta experiência às novas gerações que estão por vir. Sinto as bênçãos de Nanã, que em suas águas barrentas me acolhe com seus braços de avó, me relembrando que o despertar é nada além do que simplesmente desamarrar-se de todas as resistências em aceitar o que é, assim como é. Sinto a força do meu ventre que me ecoa o sussurro do porquê de eu estar aqui: testemunhar, e facilitar o testemunho dessa misteriosa, potente e selvagem força que habita um corpo e um Ser Mulher. 

Sigo com a paz de quem se entrega à vida em inteireza e coragem. Escolhi estar aqui, escolhi em alguns níveis viver esta experiência, e sigo escolhendo agradecer e extrair o máximo de sabedoria de cada porção de vida que me transpassa.


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Por Morena Cardoso: psicoterapeuta corporal, ativista, escritora, mãe, mulher, heroína de sua própria jornada. Uma peregrina, que iniciou a busca de si mesma a partir do espelho fornecido por povos de diversas etnias culturais, corpo adentro e mundo afora.  

Em mais de uma década de jornada pelos saberes tradicionais, lugares sagrados e povos originários, Morena pôde testemunhar diferentes formas de vida, mitos, crenças,  ferramentas de cura, sistemas simbólicos, costumes e rituais; diferentes formas de se relacionar com o universo psíquico e com a natureza- tudo isso se tornou o que é a DanzaMedicina, e hoje se configura como retiros em 6 diferentes países, workshops presenciais, conferências e uma comunidade online com mais de 80 mil mulheres.


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A Lua Cheia e o Ciclo Menstrual

DanzaMedicina

Com todas as bênçãos e honrarias, damos as boas vindas à Lua Cheia!

A energia da Lua Cheia representa em nosso ciclo menstrual a chegada da ovulação.

Isto não significa que a mulher deva menstruar na Lua Nova e ovular na Lua Cheia. Isto representa o tipo de energia, o tipo de freqüência e vibração que experenciamos no período fértil em nosso ciclo interno pessoal: Assim com a Lua Cheia- radiantes, brilhantes, expansivas, cheias de clareza e beleza!

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A Lua Crescente e o Ciclo Menstrual

DanzaMedicina

Esta fase, no ciclo menstrual da mulher, representa o momento desde o fim do sangramento até a ovulação- ou seja, representa a energia da segunda fase de nosso ciclo menstrual.

Isso não quer dizer necessariamente a mulher precise menstruar na Lua Nova e seguir a segunda fase do ciclo na Lua Crescente. Isso significa na verdade que assim como a lua, temos nossas fases distintas em ciclos internos que são representados na natureza e na mitologia arquetípica como padrões, frequências e manifestações específicas de cada momento.

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Bondage - Consentimento e Liberdade

DanzaMedicina

Comecei a compreender que aquilo era para mim um rito de iniciação para que eu pudesse me libertar do meu vitimismo, da minha necessidade de controlar os outros através de minha dor, me libertar do meu próprio apego ao sofrimento. Foi como limpar os cantinhos escondidos, as rebarbas que sobraram de um porão escuro já muito revirado e cheio de tranqueiras emocionais... foi achar mais um tapete esquecido para bater a sujeira por debaixo.”

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O Poder dos Rótulos

DanzaMedicina

Vivemos hoje uma crise de identidade. Não só isso, vivemos uma crise da própria ideia de identidade. Com o desaparecimento da interioridade e consequentemente do conteúdo essencial do sujeito, o que testemunhamos hoje é uma curadoria do eu- uma edição permanentemente construída da imagem projetada sobre si, no mundo.

Esta identidade que pode ser reconhecida, legitimada e definida como parte de algo é o que comumente chamamos de "rótulos", mas por detrás da necessidade de se dar nomes, descansa a necessidade de pertencer… pertencer a qualquer coisa que faça desaparecer de si a sensação de estar sendo inadequado.

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